Em greve de fome, palestino com cidadania brasileira deixa de beber água

Eliane Gonçalves – Repórter da EBC
Edição: Denise Griesinger

Há dois dias o palestino-brasileiro Islam Hamed, 30 anos, que está em greve de fome desde o dia 11, deixou de aceitar água e sal. A medida radical faz parte da reivindicação do ativista de deixar a prisão em Nablus, na Palestina, e voltar em segurança para o Brasil, onde tem tia e primos.

O estado de saúde de Islam é crítico. Segundo informação repassada pela Embaixada do Brasil na Palestina à família, se Islam mantiver a greve, ele pode não aguentar mais do que uma semana. Segundo Mariam Baker, de 56 anos, tia de Islam, o sobrinho não consegue suportar mais nem um dia na prisão. “O que ele pede é uma coisa mais do que justa em qualquer lugar desse mundo. A pena dele terminou. Sendo justa ou não, pouco me importa. Ele cumpriu a pena dele”, afirmou.

Islam foi preso pela primeira vez quando tinha apenas 17 anos, acusado de ter atirado pedras em soldados israelenses. Desde então, só conseguiu viver em liberdade por 18 meses nos intervalos entre sair e voltar para a cadeia. Quando estava em liberdade tirou Carteira de Motorista, Carteira de Trabalho e se casou.

As autoridades palestinas o mantêm preso sob a alegação de que estão garantindo a segurança de Islam. “A Autoridade Palestina diz que, se ele for libertado, os israelenses provavelmente o matarão, e ele não vai chegar em casa. E fica nesse impasse. Ele está sendo uma peça de jogo entre as potências do lugar em que vive, que são Israel e Palestina, e ainda de grupos partidários. Não dá para dizer o que ele está sofrendo. Só ele mesmo sabe,” explica Marian.

O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzbien, argumenta que Islam continua preso por responsabilidade da família. “Para sair do país não depende de nós e se ele está preso em qualquer momento não é responsabilidade nossa. A família precisa assinar um termo de responsabilidade, informando que não é responsabilidade nossa se ele for preso por Israel. Lamentavelmente, a Palestina está sob ocupação militar israelense. Uma patrulha armada pode entrar em qualquer lugar e pode prender até o presidente. Não consigo proteger nossos cidadãos. Não queremos amanhã ser acusados de entregar um cidadão palestino a Israel”. Perguntada sobre o termo de responsabilidade, a família rebate argumentando que o documento pode significar uma sentença de morte.

O tratamento que Islam vem recebendo no presídio também é questionado pela família. Segundo Mariam, o sobrinho vem sendo submetido a diferentes formas de tortura, como cela iluminada 24 horas por dia, isolamento, espancamento e situações vexatórias. “É difícil uma pessoa sobreviver nessas condições. Ele quer viver. Ele não quer morrer. O desejo dele é viver. Só que entre viver em uma jaula, como um bicho feroz, ele prefere morrer. E nós estamos desesperados. Todos da família não sabemos a quem recorrer”, lamenta. O embaixador da Palestina no Brasil diz que desconhece o caso de tortura e argumenta que, se isso está acontecendo, pode ser por mau comportamento do preso.

Há uma semana, no dia 15, depois de Islam ter começado a greve de fome, a família dele formalizou um novo pedido de ajuda ao governo brasileiro, desta vez ao assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. O primeiro foi apresentado em 2013. A EBC entrou em contato com a assessoria da Presidência que informou que não vai se pronunciar, já que as negociações estão sendo conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty informou que desde 2013 vem negociando com os governos de Israel e da Palestina para a libertação de Islam e sua repatriação ao Brasil.

A família, no entanto, ressente-se pela falta de medidas concretas. “[O governo brasileiro] fica sempre no ‘aguarde’, ‘aguarde’, ‘aguarde’. Só que, neste momento, não há mais o que aguardar”, protestou Mariam. “Ele é uma pessoa muito sensível, com um coração muito grande. Imagina um menino que chorava diante da televisão porque via o que estava acontecendo com as pessoas, vendo casas destruídas. Se ele jogou pedra é um ato de uma criança por não aceitar. Por resistir,” finalizou.

Texto originalmente publicado no site da EBC.

finalizou.

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